Prosa e poesia
Li em algum lugar que somos prosaicos quando fazemos aquilo que somos obrigados e somos poéticos quando fazemos algo com paixão.
Nestes dias eu tenho sentido muito a realidade desta sentença. Já havia esquecido o quanto a ação política pode ser poética, mesmo nestes tempos de desesperança, mesmo nestes tempos nos quais os sonhos precisam ser reconstruídos de quase zero. Também sinto o resgate do orgulho da minha ação profissional.
Recupero a sensação de que com todas as dificuldades é possível pensar e construir o novo. Não tenho tido muito tempo para escrever, passo os dias em uma enorme correria – reuniões; textos para escrever, ler, discutir; acompanhar as discussões no plenário; redigir leis; comentar outras; pesquisar alternativas e propostas e, principalmente, debater com a sociedade soluções ao mesmo tempo possíveis e audaciosas. Este desafio de romper o ciclo da crescente mediocridade faz com que não sinta tanto esta falta de tempo de escrever para o blog. Lidar com a realidade, com a diversidade, é certamente um caminho perigoso. Continuo, como já disse antes há vários amigos, acreditando que enquanto minha luta é pelo que acredito e não por 3 moedas de ouro conto com a necessária proteção.
Alguns colegas de trabalho, por sinal, me disseram nestes dias pelos corredores que era uma pessoa de sorte, pois se tivesse ficado onde estava teria de falar não sobre o novo, sobre o rompimento da mediocridade, mas sobre outros assuntos nada nobres. Mais uma vez só posso assinalar que o caminho nos escolhe e que neste caminho há uma sabedoria superior.
